Hoje retorno ao diário. Despropositadamente. Por tanto tempo escondido, tão escondido que o esqueci.
Hoje decidi muitas coisas. Tenho andado angustiada, ansiosa, vendo o relógio zombar de mim quando as horas passam e eu não concretizo o que preciso. Hoje fiz diferente. Decidi correr, sim, correr. O mestrado cobra de mim a saúde mental e física. Olho no espelho e vejo os resquícios de três meses sem academia. Engordei. Decidi correr. Hoje, quinta-feira, sem planos para começo de dieta amanhã. Depois de um café preto e sem açúcar e uma empada doce, coloquei o tênis, preparei a playlist e marquei 60minutos. Decidi mil coisas nesse período. Decidi que faria um blog, colocaria nele as minhas impressões, a dificuldade da escrita acadêmica, a indisciplina alimentar, o peso em excesso, a cobrança do trabalho, o incômodo da análise... tudo, pensei inclusive em escrever meu diário alimentar. Nada do que pensei, me preparou pra esse momento. O de saber que tudo que preciso dizer já estava posto, em algum momento estava dado. Chego em casa, tiro o tênis e abro o notebook no blogspot, enquanto tomo banho.
Eis que o GMAIL localiza minha conta antiga. Não lembrava, havia colocado esse diário virtual embaixo da cama, estava cheio de poeira.
Reabro e releio como quem lê o diário de outra pessoa.
Pensamentos de 2009... meus 27 anos 2011.. meus 29 anos...
2017... aos 35 anos, ainda acredito que é preciso escrever.
Que existe algo que preciso dizer, mesmo que nada disso seja lido. Coincidentemente, ontem, relembrava ao meu terapeuta a minha ausência da escrita. Dessas palavras que sempre me rodeavam e me traziam de volta à vida, coloriam meu olhar de preciosidades mundanas. São 20:16, não escrevi uma página da dissertação. Sei que devo, sei que farei, sei que sobretudo, abri uma porta que não devo fechar novamente. Aos 35, os 15 se tornam mais presentes que antes.
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