domingo, 27 de agosto de 2017

zzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZZZZZ

Há dias que não durmo bem.
Uma semana inteira em que o tempo esteve disponível e o meu corpo hesitava no que precisava ser feito. A mente de nós sempre cobra o preço.
Arrastei-me o quanto consegui. Deixei cortinas e janelas abertas, até que foi necessário sucumbir.
Ultimamente nada em mim me agrada. Os cabelos recentemente cortados são estranhos, o rosto cheio, cansado, as olheiras que me acompanham, a falta de vontade de pensar no que é preciso fazer  - matemáticas. Tudo em mim responde cansaço. Tudo em mim pede atenção e cuidado.
Volto e removo a maquiagem do rosto na tentativa de parecer um pouco melhor.
Tudo em mim pede cama, sonhos de 12h. 
Silêncios. 
Mensagens guardadas.
Músicas compartilhadas.
Café pela madrugada.
Há dias que não durmo bem. 

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Retorno

Hoje retorno ao diário. Despropositadamente. Por tanto tempo escondido, tão escondido que o esqueci. Hoje decidi muitas coisas. Tenho andado angustiada, ansiosa, vendo o relógio zombar de mim quando as horas passam e eu não concretizo o que preciso. Hoje fiz diferente. Decidi correr, sim, correr. O mestrado cobra de mim a saúde mental e física. Olho no espelho e vejo os resquícios de três meses sem academia. Engordei. Decidi correr. Hoje, quinta-feira, sem planos para começo de dieta amanhã. Depois de um café preto e sem açúcar e uma empada doce, coloquei o tênis, preparei a playlist e marquei 60minutos. Decidi mil coisas nesse período. Decidi que faria um blog, colocaria nele as minhas impressões, a dificuldade da escrita acadêmica, a indisciplina alimentar, o peso em excesso, a cobrança do trabalho, o incômodo da análise... tudo, pensei inclusive em escrever meu diário alimentar. Nada do que pensei, me preparou pra esse momento. O de saber que tudo que preciso dizer já estava posto, em algum momento estava dado. Chego em casa, tiro o tênis e abro o notebook no blogspot, enquanto tomo banho. Eis que o GMAIL localiza minha conta antiga. Não lembrava, havia colocado esse diário virtual embaixo da cama, estava cheio de poeira. Reabro e releio como quem lê o diário de outra pessoa. Pensamentos de 2009... meus 27 anos 
2011.. meus 29 anos...
2017... aos 35 anos, ainda acredito que é preciso escrever. 
Que existe algo que preciso dizer, mesmo que nada disso seja lido. Coincidentemente, ontem, relembrava ao meu terapeuta a minha ausência da escrita. Dessas palavras que sempre me rodeavam e me traziam de volta à vida, coloriam meu olhar de preciosidades mundanas. São 20:16, não escrevi uma página da dissertação. Sei que devo, sei que farei, sei que sobretudo, abri uma porta que não devo fechar novamente. Aos 35, os 15 se tornam mais presentes que antes.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sem fronteiras



Taí uma coisa que eu morro de medo é de viajar... Mas, medo de viajar porque é algo que eu gosto demais. E tenho dentro de mim uma sensação de não pertencimento a lugar algum.

Eu gosto dos cheiros, dos jeitos, gestos e principalmente, de observar a rotina dos moradores de cada lugar.

E é justamente essa sensação de não pertencimento que vira e mexe, fica aqui dentro de mim remoendo, brincando de esconde-esconde.

Um dia dou a louca, peço as contas e crio asas. Lisboa, Madri, Paris, Amsterdan, Londres??? Quem sabe??













quarta-feira, 24 de agosto de 2011

tem dias...


Tem dias que mesmo que você queira ficar calado, algo fica te consumindo e te testando até o momento em que não se espera mais e fala.
Tem dias em que a dor se torna tão latente, tão forte e tão presente que mesmo que não haja motivos para sentí-la, não tem importância, você a sente do mesmo jeito.
E se você encontrasse qualquer motivo para ser sincera, verdadeira, amorosa, carente, vulnerável.. tudo isso ao mesmo tempo, ponderaria, mas se entregaria sem pestanejar ao conforto de sentir-se acarinhado.
E parece que no fundo essa necessidade de estar se torna física e os cheiros que você só guarda na memória ficam ao seu lado o tempo todo te atormentando.Tem dias que a tormenta toda é o dilema do ser patético e transparente, ganhar a briga com seu lado racional e tô nem aí...
Porque em alguns momentos do que vale a pena lembrar dos seus problemas, das contas, da desarmonia de tudo que se vive, quando o que você quer é só esquecer e o seu remédio, no fundo, custa muito caro pra seu ego?
E quando você quer ser corajosa, independente e audaciosa, percebe que suas fraquezas provém do medo da rejeição, porque isso dói demais.
Tem dias que você só deseja que os seus desejos, esses que você não tem coragem de falar nem pra você mesma, se tornem realidade...

domingo, 29 de maio de 2011

mais um retorno


Retorno ao meu local de reverência à minha própria solidão. Aos meus anseios, confissões e disposições. O retorno ao blog é uma tentativa e sempre constante, de fazer valer o que eu sei de melhor, escrever.
E pouco importa se ele é não é acessado, melhor ainda que não seja. Afinal passei da idade de escrever em diários de papel com aqueles cadeados frágeis, tão suscetíveis a serem arrombados. Eis que aqui, meus segredos e aflições, escondo através das palavras que eu mesma publico, assim como faço com tanta presteza na vida real.

Essa vida me parece assim, um eterno esconde esconde.

Uma paixão - as torcidas de futebol



Rubro-negra desde pequenininha, hoje foi o dia de acompanhar o jogo do FlamengoxBahia, aqui no estádio de Pituaçu. O que me deixa mais feliz do que a vitória do meu time, é sem sombra de dúvidas, a emoção dos torcedores.
O que vimos hoje nessa partida foi um show a parte das duas torcidas. Mas, convém ressaltar que prefiro falar da minha, preferencialmente. A cada grupo que se juntava à massa, a saudação dos outros arrepiava até a alma. Confesso que ao descer às escadas rumo ao meu lugar, tive os olhos marejados numa emoção sem tamanho.
O bater dos tambores da torcida, os tantos técnicos que comentam o jogo, xingam os jogadores e se colocam em campo numa tempestade de opiniões, me divertem. O calor que queima o rosto não atrapalha a euforia de ver seu time no campo. Na verdade ele não incomoda nem um pouco, principalmente depois de um golaaaço que faz a torcida tremer e você se juntar à galera.
Ainda consigo reviver o refrão, cantado em uníssono por uma torcida apaixonada: "Eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo..." E tantas outras canções que embalam os rubro-negros nos estádios do Brasil e afora, tenho que confessar, meu coração é vermelho e preto por opção, por razão e principalmente por um amor sem igual.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A separação como um ato de amor

Ontem na Livraria Saraiva, enquanto aguardava uma amiga, resolvi ler uns trechos do livro Doidas e Santas, de Martha Medeiros. Me apaixonei pelas crônicas, mas teve um texto que me vez apertar a garganta e o choro ficou bem próximo. Eis a maravilha:

É SABIDA A DOR QUE ADVÉM DE qualquer separação, ainda mais da separação de duas pessoas que se amaram muito e que acreditaram um dia na eternidade deste sentimento. A dor-de-cotovelo corrói milhares
de corações de segunda a domingo — principalmente aos domingos, quando quase nada nos distrai de nós mesmos — e a maioria das lágrimas que escorrem é de saudade e de vontade de rebobinar os dias, viver de novo as alegrias perdidas.

Acostumada com esta visão dramática da ruptura, foi com surpresa e encantamento que li uma descrição de separação que veio ao encontro do que penso sobre o assunto, e que é uma avaliação mais confortante, ao menos para aqueles que não se contentam em reprisar comportamentos padrões. Está no livro “Nas tuas mãos”, da portuguesa Inês Pedrosa.

“Provavelmente só se separam os que levam a infecção do outro até aos limites da autenticidade, os que têm coragem de se olhar nos olhos e descobrir que o amor de ontem merece mais do que o conforto dos hábitos e o conformismo da complementaridade.”

Ela continua:

“A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal.”

Calou fundo em mim esta declaração, porque sempre considerei que a separação de duas pessoas precisa acontecer antes do esfacelamento do amor, antes de se iniciarem as brigas, antes da falta de respeito assumir o comando. É tão difícil a decisão de separar que vamos protelando, protelando, e nesta passagem de tempo se perdem as recordações mais belas e intensas. A mágoa vai ganhando espaço, uma mágoa que nem é pelo outro, mas por si mesmo, a mágoa de se reconhecer covarde. E então as discussões se intensificam e quando a separação vem, não há mais onde se segurar, o casal não tem mais vontade de se ver, de conversar, quer distância absoluta, e aí se configura o desastre: a sensação de que nada valeu. Esquece-se o que houve de bom entre os dois.

Se o que foi bom ainda está fresquinho na memória afetiva, é mais fácil transformar o casamento numa outra relação de amor, numa relação de afastamento parcial, não total. Se os dois percebem que estão caminhando para o fim, mas ainda não chegaram no momento crítico — o de se tornarem insuportavelmente amargos — talvez seja uma boa alternativa terminar antes de um confronto agressivo. Ganha-se tempo para reestruturar a vida e ainda se preserva a amizade e o carinho daquele que foi tão importante. Foi, não. Ainda é.

“Só nós dois sabemos que não se trata de sucesso ou fracasso. Só nós dois sabemos que o que se sente não se trata — e é em nome deste intratável que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lá da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos coloriram a vida, encontramo-nos agora juntos na violência do sofrimento, na ausência um do outro como já não nos lembrávamos de ter estado em presença. É uma forma de amor inviável, que, por isso mesmo, não tem fim.”

É um livro lindo que fala sobre o amor eterno em suas mais variadas formas. Um alento para aqueles — poucos — que respeitam muito mais os sentimentos do que as convenções.

Doidas e Santas
Martha Medeiros