quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A separação como um ato de amor

Ontem na Livraria Saraiva, enquanto aguardava uma amiga, resolvi ler uns trechos do livro Doidas e Santas, de Martha Medeiros. Me apaixonei pelas crônicas, mas teve um texto que me vez apertar a garganta e o choro ficou bem próximo. Eis a maravilha:

É SABIDA A DOR QUE ADVÉM DE qualquer separação, ainda mais da separação de duas pessoas que se amaram muito e que acreditaram um dia na eternidade deste sentimento. A dor-de-cotovelo corrói milhares
de corações de segunda a domingo — principalmente aos domingos, quando quase nada nos distrai de nós mesmos — e a maioria das lágrimas que escorrem é de saudade e de vontade de rebobinar os dias, viver de novo as alegrias perdidas.

Acostumada com esta visão dramática da ruptura, foi com surpresa e encantamento que li uma descrição de separação que veio ao encontro do que penso sobre o assunto, e que é uma avaliação mais confortante, ao menos para aqueles que não se contentam em reprisar comportamentos padrões. Está no livro “Nas tuas mãos”, da portuguesa Inês Pedrosa.

“Provavelmente só se separam os que levam a infecção do outro até aos limites da autenticidade, os que têm coragem de se olhar nos olhos e descobrir que o amor de ontem merece mais do que o conforto dos hábitos e o conformismo da complementaridade.”

Ela continua:

“A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal.”

Calou fundo em mim esta declaração, porque sempre considerei que a separação de duas pessoas precisa acontecer antes do esfacelamento do amor, antes de se iniciarem as brigas, antes da falta de respeito assumir o comando. É tão difícil a decisão de separar que vamos protelando, protelando, e nesta passagem de tempo se perdem as recordações mais belas e intensas. A mágoa vai ganhando espaço, uma mágoa que nem é pelo outro, mas por si mesmo, a mágoa de se reconhecer covarde. E então as discussões se intensificam e quando a separação vem, não há mais onde se segurar, o casal não tem mais vontade de se ver, de conversar, quer distância absoluta, e aí se configura o desastre: a sensação de que nada valeu. Esquece-se o que houve de bom entre os dois.

Se o que foi bom ainda está fresquinho na memória afetiva, é mais fácil transformar o casamento numa outra relação de amor, numa relação de afastamento parcial, não total. Se os dois percebem que estão caminhando para o fim, mas ainda não chegaram no momento crítico — o de se tornarem insuportavelmente amargos — talvez seja uma boa alternativa terminar antes de um confronto agressivo. Ganha-se tempo para reestruturar a vida e ainda se preserva a amizade e o carinho daquele que foi tão importante. Foi, não. Ainda é.

“Só nós dois sabemos que não se trata de sucesso ou fracasso. Só nós dois sabemos que o que se sente não se trata — e é em nome deste intratável que um dia nos fez estremecer que agora nos separamos. Para lá da dilaceração dos dias, dos livros, discos e filmes que nos coloriram a vida, encontramo-nos agora juntos na violência do sofrimento, na ausência um do outro como já não nos lembrávamos de ter estado em presença. É uma forma de amor inviável, que, por isso mesmo, não tem fim.”

É um livro lindo que fala sobre o amor eterno em suas mais variadas formas. Um alento para aqueles — poucos — que respeitam muito mais os sentimentos do que as convenções.

Doidas e Santas
Martha Medeiros


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Agora só falta você

As festas de fim de ano se aproximam e com ela a nostalgia que sempre me abate nesse período. É um tal de refletir sobre os planos que fiz e não concretizei, as lamúrias que não resolvi e tudo que evitei pra não sofrer mais em pleno clima de "happy end".
O balanço de 2009 ainda não foi finalizado, mas em síntese, os pontos positivos foram maiores que os negativos. Os obstáculos e os tropeços doeram muito, mas nada que não me ajudasse a ganhar um pouco mais de maturidade. Ademais, percebi que é possível e devo ser mais seletiva em relação às pessoas que convivo e escolho para estar do meu lado.
Caramba, ainda há muito para melhorar e inúmeras coisas que deixei de fazer em 2009, mas nada que com esforço e concentração não realize. O principal já tenho, consciência e fé de que sou capaz!

Bem ao estilo dessa música de Rita Lee e Luiz Sérgio.

Agora Só Falta Você

Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê?

E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou

Agora só falta você

sábado, 12 de dezembro de 2009


Pessoas,

Confesso que pequei. Pequei porque pensei, ou penso logo peco???

Confusões de pensamentos a parte. Devo contar-lhes minha experiência no cinema assistindo o grande fenômeno Lua Nova. Confesso que não esperava me divertir tanto. Bem, já esperava um romance, mas tão piegas quanto, não!
Esperava realmente não gostar do protagonista com cara de defunto, mas a surpresa foi o tal do lobinho do filme, que além de muito bonito, foi o melhor ator do filme inteiro, o que valeu o preço do meu ingresso.
Ademais, a mocinha bem indecisa, que não tirava os olhos do abdomên bem definido do tal lobinho, mas morria de amores pelo outro lá, essa não me convenceu. Nessa sessão foi intitulada a Galinha do Ano.
Acredita-se que no próximo filme tenhamos um quadrilátero amoroso, protagonizado por ela, o vampiro, o lobindo e ET, amigos... Isso o Extra-terrestre. Afinal, vai gostar de se relacionar com gente esquisita lá em casa.. kkkkkkkk
Mas, de tudo, valeu a experiência. O público da sessão era muito espirituoso, dei altas risadas com as piadas no meio do filme e nesse ano, que está acabando, chega de caridade. Lua Nova não mais...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Um pouco de Pessoa nesta pessoa


"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive".

Ricardo Reis
Há algum tempo, tenho tentado criar coragem para voltar a escrever. No blog, textos acadêmicos, diários lacrados com cadeado.. qualquer coisa. E todos os dias quando observo alguma cena que me emociona, penso: essa é pra registrar no blog, tipo.. a manchete do dia.
O jornal tá meio velho, amassado, e tem até folhas rasgadas.. mas ainda há informações que se aproveite.

Ela estava lá, de carona, num desses carros sport, sabe. Com uma senhora muito séria, concentrada dirigindo. E ela acenava, e sorria, com aproximadamente seus seis anos, olhos puxados e jeito que demonstrava a sua deficiência. E era tão bonita, com seus cabelos claros e principalmente, um sorriso imenso, desses que só de ver você ganha o dia, sabe?

E quando eu olhei ao meu lado e vi que as pessoas em pé dentro daquele ônibus lotado, sorriam para ela de volta, então entendi. Que só um sorriso de uma criança é capaz de fazer milagres. Acredite, nem percebi que estava há tanto tempo num engarrafamento. Ela me distraiu e enterneceu meu coração naquele instante.

Fiquei olhando o ônibus se afastar e pedindo que outras pessoas também sentissem o carinho que ela deixou em mim naquela tarde.
"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."
Caio Fernando Abreu